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Número de brasileiros com diabetes aumentou 31% nos últimos dois anos

14 nov 2019 • Flávia Sapienza

Foi divulgado, em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro), a nona edição do Atlas de Diabetes. O documento, produzido a cada dois anos pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês), mapeia a dimensão da doença em 138 países. Infelizmente, os resultados não são muito animadores, especialmente no Brasil.

Pessoa mede glicemia no dedo com aparelho

“A principal informação que o Atlas traz é um crescimento importante da doença, principalmente aqui”, comenta o endocrinologista Laércio Joel Franco, professor da Universidade de São Paulo (USP) que participou do comitê organizador do levantamento.

A pesquisa calcula que, atualmente, 463 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos no mundo possuem diabetes, 38 milhões a mais em comparação com 2017. O tipo 2 — versão muito associada a um estilo de vida não-saudável — é responsável por quase 90% dos casos.

A situação no Brasil

Em relação ao último Atlas, nosso país teve um crescimento de 31% na população com diabetes. A título de comparação, no resto do mundo essa taxa ficou em 9%. Nesse quesito, perdemos apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.

Atualmente, 11,4% dos adultos brasileiros sofrem com a glicemia alta. Franco conta que, nas últimas décadas, houve um aumento na incidência do problema nas nações de baixa e média renda, que estão se desenvolvendo agora. “Isso ocorre porque as pessoas estão vivendo mais, mudando os hábitos e engordando”, explica.

Já os países desenvolvidos passaram por esse fenômeno décadas atrás. “Na Europa, o diabetes está quase se estabilizando”, exemplifica Franco. Por outro lado, a América Central e a do Sul estão numa curva ascendente.

Outro ponto que chama a atenção está relacionado ao diabetes tipo 1. Hoje, o Brasil sedia a terceira maior população de crianças e adolescentes no mundo (95 800 jovens abaixo dos 20 anos) com essa versão da doença, marcada por um ataque do próprio sistema imunológico ao pâncreas. Estados Unidos e Índia ficaram em primeiro e segundo lugar, respectivamente.

Apesar do aumento, o especialista não acredita que haja maior risco de desenvolver essa modalidade de diabetes por aqui. “O que realmente preocupa é o fato de o tipo 2 estar surgindo nas idades mais baixas, em geral por excesso de peso. Isso é algo que pode ser evitado”, opina.

Para controlar e mesmo prevenir o diabetes, é fundamental ajustar a alimentação, fazer exercício físico e adotar um estilo de vida mais saudável como um todo. “Essa é uma mensagem importante para a população. É uma doença silenciosa e os fatores de risco estão cada vez mais presentes em nosso meio”, conclui Franco.

Fonte: Revista Saúde – Abril