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Depressão: como entender e vencer um dos principais problemas de saúde da atualidade

24 jul 2019 • Felipe Nascimento

A depressão é um dos principais problemas de saúde no mundo atualmente. Considerada um transtorno psiquiátrico, ela pode atingir pessoas de qualquer faixa etária e é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades do dia a dia, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo. Estima-se que cerca de 300 milhões de pessoas sofrem com o transtorno e pelo menos 30% da população do planeta terá algum episódio de depressão ao longo da vida.

A doença pode surgir sem motivo aparente como também ser a consequência de um evento importante, como divórcio, falência, perda de emprego ou morte de uma pessoa próxima. Estes acontecimentos são os chamados “gatilhos”. Além disso, existem fatores genéticos que podem influenciar esse quadro. Entretanto, nem todas as pessoas com predisposição genética reagem do mesmo modo diante dos fatores que funcionam como gatilho.

SINTOMAS

Um caso de depressão pode ser categorizado como leve, moderado ou grave, dependendo dos sintomas. Entre os principais indícios da doença estão ansiedade, alterações do apetite, de peso e do sono, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou de culpa, dificuldade de concentração e de tomar decisões. No pior dos casos, o transtorno pode levar ao suicídio, a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

É importante lembrar que, embora nem todos os pacientes que se suicidam deem indícios de que vão fazer isso, alguns sinais devem servir de alerta, como frases pessimistas, mudanças de comportamento, isolamento, agressividade, passividade ou agitação.

Estudos comprovam que a depressão não promove apenas uma sensação de infelicidade crônica, mas gera um risco maior de desenvolver outros problemas, como doenças cardiovasculares. Ou seja, ela não afeta apenas a mente, mas o corpo de forma geral.

COMO AJUDAR

Quando pensamos em alguém que sofre de depressão, geralmente imaginamos uma pessoa que não sai de casa, sem forças e ânimo para levantar da cama. Mas nem sempre é assim. Em muitos casos, essas pessoas são capazes de cumprir seus objetivos, manter uma rotina diária e parecem ter uma vida bem-sucedida. Ou seja, a doença pode estar presente, mas de forma oculta.

Quando isso acontece, fica difícil ajudar, o que pode ser um fato preponderante para que a doença se agrave. Contudo, seu apoio continua sendo fundamental. Se você identifica os sintomas da depressão em alguém, procure incentivar a pessoa a buscar auxílio de um especialista. Psicólogos, médicos de família e clínicos gerais também podem fazer avaliações e encaminhar pacientes para o tratamento psicológico ou psiquiátrico.

É importante saber que a pessoa que está próxima de alguém com depressão não pode acelerar o processo de melhora dela, mas pode piorar com atitudes e frases mal colocadas, como por exemplo: “Faça um esforço”, “Só depende de você”, “Vai fazer exercício que passa”.

Procurar ouvir, sem julgamentos, mostrar que está por perto, oferecer ajuda prática e buscar conselhos ou indicações de profissionais de saúde de quem já enfrentou a depressão são os primeiros passos. Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) dá apoio emocional gratuitamente e com total sigilo, por telefone, e-mail e chat em todos os dias da semana para quem está em desespero ou pensa em suicídio. Informações sobre o atendimento pelo número 188.


TRATAMENTO

A depressão é um transtorno sério e pode durar semanas ou mesmo anos. E uma vez que o indivíduo passe por uma crise, corre maior risco de enfrentar episódio semelhante outra vez na vida. Na maioria das vezes, o tratamento é feito em conjunto pelo psiquiatra e o psicólogo. Quadros leves costumam responder bem ao tratamento psicoterápico. Nos mais graves, a indicação é o uso de antidepressivos com o objetivo de tirar a pessoa da crise.

A família também tem um papel fundamental no tratamento dos portadores de depressão. Reconhecer que a pessoa está passando por um momento difícil e informar-se sobre o distúrbio é o primeiro passo. Ajudar a pessoa a se manter ativa na rotina e oferecer apoio durante cada avanço no tratamento também é muito importante.

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Lembre-se:

– Depressão é uma doença como qualquer outra. Não é sinal de loucura, nem de preguiça e nem de irresponsabilidade;

– Ela pode ocorrer em qualquer fase da vida: na infância, adolescência, maturidade e velhice;

– Disponibilizar-se para uma conversa, onde mais se ouve do que se fala, sem julgamentos desnecessários, pode ser a primeira forma de ajudar quem precisa;

– Encaminhar para um tratamento especializado é essencial. O diagnóstico precoce é o melhor caminho para colocar a vida nos eixos outra vez.

Matéria publicada no Jornal Amafresp em Foco, edição nº 08.