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Combate ao glaucoma: especialista esclarece dúvidas sobre a doença

24 maio 2019 • Felipe Nascimento

Quando sentimos algum mal-estar, dor, ou percebemos manchas no corpo, nossa primeira reação é procurar um médico. Mas como saber se há algo errado com o organismo quando não há sintomas?  Considerada uma doença “silenciosa”, o glaucoma é uma doença que provoca a perda progressiva da visão, levando à cegueira se não tratada precocemente.

De acordo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afetará 80 milhões de pessoas em 2020 em todo o mundo e 111,5 milhões em 2040. Para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce desta doença, o dia 26 de maio foi instituído como Dia Nacional de Combate ao Glaucoma.

Confira a seguir a entrevista realizada com o Dr. Ivan Maynart Tavares, médico oftalmologista do Centro Oftalmológico São Paulo (CEOSP), que falou sobre as principais características, mitos, tratamento e formas de prevenção de uma das mais graves patologias que acometem o olho.


1) Quais os primeiros sintomas do glaucoma?
O glaucoma é uma doença que ocorre quando há uma elevação da pressão intraocular (no interior dos olhos) e afeta o nervo óptico – responsável pela visão. Há dois tipos principais de glaucoma: o primário de ângulo aberto, que é mais comum e só apresenta sinais quando a doença está avançada, pois a pressão intraocular se eleva lentamente ao longo dos anos, e o paciente sofre com o aumento no número de quedas, de esbarrões em paredes e portas, assim como de acidentes automobilísticos. Já o glaucoma primário de ângulo fechado, forma menos comum da doença, pode dar um grupo de sintomas mais iniciais, como dor no olho acompanhada de dor de cabeça, visão de halos coloridos ao redor de fontes luminosas e visão embaçada, provocados pelo aumento brusco da pressão intraocular.


2) Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito durante o exame com o médico oftalmologista, onde são aferidos a pressão ocular (tonometria), o ângulo camerular (gonioscopia) e o nervo óptico é avaliado (fundoscopia). Em casos suspeitos, são feitos exames complementares para avaliação do campo visual e das fibras que formam o nervo óptico, entre outros.


3) O que contribui para o desenvolvimento da doença?
Os glaucomas primários não têm causas específicas. Os fatores de risco são da própria pessoa, tais como: ter familiar próximo, como pais e irmãos com a doença; a idade, pois o glaucoma acomete, preferencialmente, pessoas com mais de 40 anos, ter miopia (para glaucoma de ângulo aberto) ou hipermetropia (para glaucoma de ângulo fechado) e ser da etnia negra. Algumas doenças dos olhos, assim como o uso indiscriminado e prolongado de corticoides, podem provocar glaucomas secundários.


4) Ao receber o diagnóstico, qual a conduta indicada para esses pacientes?
Entender que o glaucoma é uma doença crônica que requer tratamento continuado por toda a vida. E que esse tratamento objetiva a redução da pressão intraocular, mesmo nos casos classificados como glaucoma de pressão normal, e é feito com colírios, aplicação de laser ou cirurgia para criar vias alternativas de escoamento do líquido intraocular. Muitas vezes essas modalidades terapêuticas podem ser combinadas.


5) Existem alguns mitos a respeito da doença. Muitos dizem que o paciente não deve levantar peso, que o consumo de alguns alimentos é contraindicado. O que há de verdade nessas crenças populares?
A maioria é mito mesmo. Porém, recomenda-se que não haja excesso na ingestão de bebidas com cafeína e, nos casos avançados da doença, que se evitem posições invertidas sobre a cabeça como nas aulas de yoga, ou excesso de peso nas aulas de musculação. A prática prolongada de instrumentos de sopro, geralmente realizada por músicos profissionais, também não é recomendada. De maneira geral, um estilo de vida saudável é recomendado para quem tem glaucoma, com alimentação balanceada, atividade física aeróbica regular e sono reparador.


6) Quem tem glaucoma pode utilizar lente de contato?
Sim, pode. Só é preciso conversar com seu oftalmologista sobre o horário de uso dos colírios, para não haver depósito nas lentes. Alguns pacientes, após a cirurgia para tratamento do glaucoma não conseguem mais se adaptar à lente de contato, mas são casos isolados.


7) É possível evitar a instalação do glaucoma?
Infelizmente, não. Entretanto, na maioria dos casos, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível estabilizar a doença e diminuir as chances de que a qualidade de vida do paciente seja prejudicada.

 

 

Dr. Ivan Maynart Tavares é MD PhD Professor Adjunto Livre-Docente da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP e médico oftalmologista do Centro Oftalmológico São Paulo (CEOSP).