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Risco de infarto aumenta no inverno, aponta cardiologista do Hospital 9 de Julho

06 jul 2020 • Flávia Sapienza

Dia 20 de junho marcou o início do inverno no Brasil e, com a chegada da nova estação, não só aumentam os casos de doenças respiratórias, mas também de problemas do coração. Segundo o cardiologista do Hospital 9 de Julho, Dr. Marcelo Paiva, o tempo frio é responsável por um aumento de 30% no número de casos de infarto do miocárdio, mais conhecido como ataque cardíaco.

A explicação para isso é uma soma de fatores: por um lado, as baixas temperaturas favorecem a contração das paredes dos vasos sanguíneos, de modo que o coração precisa realizar trabalho extra para manter o corpo quente. Além disso, as pessoas comumente deixam de fazer atividade física e aumentam a ingesta calórica, principalmente com maior consumo de alimentos gordurosos, que são responsáveis pela obstrução das artérias e vasos sanguíneos.

O resultado é a obstrução de uma das artérias que leva sangue ao coração, que caracteriza o infarto. “O músculo cardíaco fica sem oxigênio, provocando a morte de células. Por isso, identificar o problema rapidamente contribui para minimizar o dano provocado ao órgão”, explica o médico.

Casos de infarto aumentam 30% durante o inverno

Reconhecimento dos sintomas e atendimento rápido

Quando o problema acontece, é preciso responder com rapidez para garantir a recuperação total do paciente infartado. Para o Dr. Marcelo, é muito comum a demora na percepção dos primeiros sintomas do infarto, o que eleva ainda mais o risco de agravamento. “Em tempos de pandemia, os pacientes passaram a chegar aos hospitais com o caso mais grave, o que tem feito a mortalidade subir drasticamente”, explica o médico.

Estudos confirmam que, desde o início das medidas de distanciamento no mundo, foi registrado um crescimento do número de mortes por infarto nos países da Europa e nos Estados Unidos.

Paiva afirma que, quanto maior a demora para procurar ajuda depois dos primeiros sintomas, menores são as chances de os médicos conseguirem um resultado favorável no tratamento. E, ainda que o atendimento consiga garantir a vida do paciente, esse atraso leva a uma maior possibilidade de complicações posteriores.

Quando buscar ajuda?

Entre os indícios de um ataque cardíaco estão dores que se irradiam para o braço esquerdo ou o queixo, dor abdominal, tontura, sudorese, palpitações, fraqueza no braço. Nas mulheres, os sintomas podem se confundir com uma queimação no estômago, provocar náusea e vômitos, além de dores nas costas e dificuldade para respirar.

Ao perceber os primeiros sintomas, a recomendação é procurar atendimento imediatamente. O Dr. Marcelo destaca que os hospitais seguem protocolos rígidos para evitar a disseminação de coronavírus e outras doenças, e estão preparados para receber os pacientes com segurança.

 

Fonte: Blog – Hospital 9 de Julho