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Stents desnecessários só beneficiam indústria

12 set 2016 • Viviane Mendes

Stents desnecessários só beneficiam indústria

Há alguns meses o Jornal Folha de São Paulo divulgou o fortalecimento da campanha “Choosing Wisely” (escolhendo com sabedoria) no Brasil, com adesão de ao menos duas sociedades médicas, a de cardiologia e de medicina de família, e apoio da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Essa campanha foi iniciada nos Estados Unidos em 2012 e tenta mostrar os riscos do excesso de exames, que pode levar a tratamentos desnecessários, alguns dos quais causando mais danos do que benefícios aos pacientes.

A matéria, publicada na coluna da jornalista Cláudia Colucci, conta que a Sociedade Brasileira de Cardiologia, por exemplo, tomou uma atitude corajosa: passou a recomendar que os cardiologistas não coloquem “stents” em pacientes assintomáticos, prática ainda muito comum. Estudos apontam que 50% das intervenções coronárias nos Estados Unidos, por exemplo, são inadequadas ou incertas. E o pior: não previnem infartos. Leia mais sobre outras orientações no site da SBC.

Quem ganha com os stents e outras próteses desnecessárias? A indústria e os distribuidores dos dispositivos (por razões óbvias), os hospitais (que têm taxas de comercialização sobre eles) e uma parcela de médicos que ganha “comissões” da indústria. As investigações sobre a “máfia das próteses” têm farta documentação sobre isso.

Quem perde? Você, paciente, que vai passar pelo risco de uma cirurgia desnecessária e não terá garantia alguma de que estará protegido. Quem mais perde? Os sistemas de saúde (público e privado) que, ao pagar por procedimentos desnecessários e alimentar “máfias” do setor, jogam no ralo recursos que poderiam estar sendo investidos onde realmente são necessários.

Confira a matéria na íntegra em http://goo.gl/Uk6WnY