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Valor Econômico – Nos EUA, um novo plano de saúde

02 fev 2018 • Fabieli de Paula

Por David Crow (31/01/2018)

 

Amazon, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase anunciaram planos para criar uma empresa de saúde sem fins lucrativos para reduzir os custos atrelados a seus quase 1 milhão de funcionários, levando investidores a vender ações de empresas do setor na bolsa de Nova York.

O anúncio das três empresas não fornece detalhes, dizendo que a nova companhia inicialmente se concentrará em “soluções tecnológicas” para fornecer a seus funcionários e famílias americanas “planos de saúde simplificados, de alta qualidade e transparentes – a um custo razoável”.

“As três empresas, que contribuem com sua escala e experiência complementar para esse esforço de longo prazo, buscarão alcançar esse objetivo por meio de uma empresa independente e não sujeita aos incentivos e restrições usuais em um empreendimento que vise lucros”, disseram em um comunicado.

As ações de grandes empresas do setor de saúde como UnitedHealth, Aetna, Cigna e Humana caíram na bolsa de Nova York. Ações das distribuidoras de medicamentos Express Scripts e CVS Health também se desvalorizaram ontem.

Uma pessoa recentemente informada sobre os planos da Amazon disse que a joint venture inicialmente se concentrará no uso de softwares e aplicativos para ajudar os funcionários a reduzirem seus custos com saúde. Por exemplo, se um médico receitar um remédio caro, um aplicativo de smartphone poderia enviar uma notificação ao paciente, alertando-o sobre a disponibilidade de uma alternativa genérica mais barata.

Por mais difícil que seja, reduzir o ônus dos serviços de saúde sobre a economia e ao mesmo tempo melhorar o atendimento aos funcionários e suas famílias, o esforço valeria a pena. Mas a pessoa disse que a iniciativa poderá ser um prelúdio para uma iniciativa mais ampla, em que as três empresas optariam por “auto-segurar” seus funcionários sem fins lucrativos.

Mais empresas poderão ser convidadas a aderir à iniciativa no futuro, acrescentou a pessoa. Se a Amazon e seus parceiros criarem uma seguradora de saúde sem fins lucrativos para seus aproximadamente 950 mil funcionários e suas famílias, isso poderá representar um dos maiores abalos no setor há anos. As seguradoras de saúde comerciais, como UnitedHealth e Cigna, correriam o risco de perder centenas de milhares de clientes. E distribuidoras de medicamentos (PBMs, no jargão do setor) como a Express Scripts também poderão perder um grande volume de negócios. Uma PBM (pharmacy benefit manager) atua como intermediária entre fabricantes de medicamentos e os planos de saúde, negociando preços.

Embora algumas grandes empresas, entre elas as fabricantes de automóveis Ford, General Motors e Fiat Chrysler, já financiem seus próprios esquemas de seguro-saúde, assumindo as coberturas de seguros e reservando capital para possíveis prejuízos, elas tendem a contratar planos de saúde comerciais [que visam lucro] e PBMs para gerenciar os planos.

A iniciativa vem à tona após meses de especulações de que a Amazon estaria prestes a entrar no setor de saúde, o que pressionou os preços das ações das operadoras de planos de saúde, redes de farmácias e PBMs. Alguns analistas interpretaram a aquisição do grupo de farmácias CVS pela seguradora Aetna por US$ 69 bilhões, em dezembro, como um movimento defensivo contra a potencial entrada da Amazon no setor de saúde.

Em uma série de declarações, os principais executivos das três empresas sinalizaram que o empreendimento ainda está em seus estágios iniciais, mas insistiram que sentiram-se compelidos a agir devido à espiral ascendente dos custos de saúde, que estão corroendo os orçamentos familiares.

O custo dos planos de saúde familiares patrocinados pelos empregadores chegaram a US$ 18,764 mil no ano passado, um aumento de 3% em relação a 2016, com os trabalhadores em média pagando US$ 5,714 mil e os empregadores arcando com o restante, de acordo com um relatório da Kaiser Family Foundation. “Os crescentes custos dos planos de saúde atuam como uma tênia faminta nos intestinos da economia americana”, disse Warren Buffett, presidente e diretor executivo da Berkshire Hathaway. Ele acrescentou: “Nossa companhia não vai atacar esse problema com respostas prontas. Mas também não aceitamos essa situação como inevitável. Em vez disso, compartilhamos a crença de que colocar nossos recursos coletivos por trás dos melhores talentos do país pode, com o tempo, conter a alta dos custos com a saúde, melhorando simultaneamente a satisfação e os resultados para os pacientes”.

Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, disse que o sistema de saúde é complexo e que as empresas estão assumindo “esse desafio com os olhos abertos quanto ao grau de dificuldades”. Ele acrescentou: “Por mais difícil que seja, reduzir o ônus da saúde sobre a economia e melhorar os resultados para os funcionários e suas famílias, valerá o esforço”.

Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase, disse que os funcionários do banco querem “transparência, conhecimento e controle” ao gerenciar seus planos de saúde, e que as três empresas têm “recursos extraordinários” para oferecer serviços capazes de beneficiar os funcionários e suas famílias.

As três empresas disseram que anunciarão em breve a formação de uma joint venture e convocaram um trio de executivos para liderar o esforço: Todd Combs, um operador de investimentos da Berkshire Hathaway; Marvelle Sullivan Berchtold, diretora-gerente da JPMorgan Chase; e Beth Galetti, vice-presidente sênior da Amazon.

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