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Veja entrevista com o médico Sérgio Xavier

16 out 2017 • Fabieli de Paula

O atual modelo de gerenciamento de custos e de qualidade de serviços de saúde no país precisa ser revisto com urgência. Um dos principais desafios é reduzir desperdícios. Para se ter uma ideia, entre 25% e 40% dos exames laboratoriais realizados no país não seriam necessários, de acordo com estimativas do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Veja a entrevista com o médico Sérgio Xavier (credenciado à Amafresp), especialista em ortopedia e traumatologia esportiva, sobre o assunto.

 

Dr. Xavier, como avalia a questão do desperdício em relação aos exames?
Eu vou com frequência para congressos internacionais e vejo que o desperdício é uma problemática comum em vários países. Não é um problema exclusivo do Brasil. Tenho participado de muitas discussões a respeito do assunto. Todos os envolvidos na área da saúde devem, cada vez mais, engajar-se e buscar alternativas para mudar esses números alarmantes, afinal os recursos são finitos e temos que repensar as práticas atuais e focar na sustentabilidade. Estamos
em fase de transição, na qual a conscientização de médicos, operadoras, hospitais e pacientes, que aos poucos está ocorrendo, é fundamental para uma mudança cultural na área da saúde.

 

Você acredita que a formação médica atual tem contribuído para essa prática?
Infelizmente sim. Se o médico não tem segurança, a tendência é que não examine o paciente e já peça uma série de exames desnecessários e caríssimos. Por exemplo, já vi casos em que um paciente fraturou o dedo do pé e foi solicitada uma ressonância que custa, em média, R$ 1.500, sendo que um simples raio X resolveria. Isso pode ocorrer por uma falta de qualificação, afinal muitas instituições de ensino não oferecem estrutura adequada durante a formação.

 

Relate casos do seu cotidiano nos quais pacientes chegaram com diagnósticos equivocados.
Recentemente eu peguei um caso de um paciente que chegou aqui com sete ressonâncias. Parece um absurdo, mas é realidade. Estava assustado, pois imaginou o pior. Ele se queixou de dores e para cada dor apontada o médico que o atendeu pediu uma ressonância. Ao conversar com ele, percebi que era um adulto saudável, que corria três vezes por semana. Além disso, seus exames estavam normais. Bastava examiná-lo para saber que ele não tinha problemas. Ou seja, foram feitos exames desnecessários, que expuseram e geraram ansiedade no paciente, além de custo para a operadora.

 

Quais seriam as soluções para amenizar o desperdício?
Uma solução prática é não aceitar pedidos de exames de múltipla escolha, seguindo o que a Amafresp adotou recentemente. É claro que dá mais trabalho para o médico, porém minimiza a solicitação de exames desnecessários e evita fraudes. Também um trabalho forte de conscientização tem que ser feito com médicos, hospitais e pacientes para que todos estejam cientes das problemáticas e possam de alguma forma contribuir para melhorar. Além disso, é importante trabalhar a comunicação não só com o filiado à Amafresp, mas também com os especialistas e
instituições credenciadas.

 

Comente sua visão sobre a saúde no Brasil.
Temos muitos problemas, mas acho que, aos poucos, nós estamos melhorando. A longevidade é um reflexo disso, assim como as campanhas de vacinação que erradicaram algumas doenças. Então, é importante que tenhamos, cada vez mais, campanhas de saúde, de prevenção e conscientização.

Perfil

Dr. Sérgio Augusto Xavier, especialista em ortopedia e traumatologia esportiva, é credenciado há quase quarenta anos. Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo, tem um vasto currículo. Entre suas principais atividades exerce o cargo de diretor do Serviço de Medicina Esportiva do Hospital do Coração e é médico credenciado no Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Também é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, da Sociedade Paulista de Medicina Esportiva e da American Academy of Orthopaedic Surgeons. Além disso, é médico benemérito da Confederação Brasileira de Voleibol, do Time de Voleibol Feminino do Leite Moça e do BCN/ Bradesco- Osasco.

O especialista também foi medalha de ouro com a Seleção Brasileira Masculina de Voleibol nas Olimpíadas de Barcelona – 1992- e Campeão Mundial de Basquetebol Feminino com o time BCN/Bradesco. Além disso, foi gerente médico do Maracanãzinho dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

Serviço
Clínica do Esporte Dr. Sérgio Xavier
Rua Iguatemi, 192 cj.74 | Itaim Bibi | São Paulo |
CEP: 01451-010 | (11) 3168-9278