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‘Máfia das próteses’: livro conta sobre esquema de corrupção

13 maio 2017 • Fabieli de Paula

O livro “A máfia das próteses: uma ameaça à saúde” traz uma importante contribuição ao sistema de saúde brasileiro ao relatar, com base nas investigações feitas pela imprensa e pelas autoridades, o processo de organização das más práticas, ilícitas e criminosas, que ocorrem com tanta frequência em especialidades como ortopedia, cardiologia, neurologia e odontologia.

O diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde – Abrange, Pedro Ramos, aborda em seu livro os  esquemas entre fornecedores, hospitais e médicos envolvendo a aquisição exagerada e irregular de próteses.  Na obra ele ainda conta casos de pacientes enganados, submetidos a cirurgias para colocação de próteses desnecessárias, e fornece informações sobre os prejuízos causados pela ação das quadrilhas.

Um dos casos reais  contados no livro é de uma senhora de Porto Alegre, de 76 anos, que teve implantados na coluna vinte parafusos. No fim, teve infecção generalizada e foi obrigada a tirar dezesseis. Ramos não fica somente na denúncia contundente e embasada da máfia. A partir da análise dos fatos, aponta os desafios que devem ser enfrentados para extingui-la.

O diretor da Amafresp, Alexandre Lania Gonçalves,  destacou que este é um livro esclarecedor e corajoso e que ele deveria interessar a todos, pois tudo o que envolve assistência à saúde diz respeito à vida. “Infelizmente estamos à mercê de profissionais médicos nada transparentes e antiéticos que se aproveitam da confiança, da boa-fé e da  fragilidade de seus pacientes,  com objetivo de lucros espúrios e até mesmo colocando em risco a integridade da vida humana, além de contribuir  para os desperdícios na área de saúde. Essa prática, que a nossa Amafresp repudia e luta contra, é muito comum, inclusive em instituições hospitalares de renome. Nosso plano sempre teve como diretriz a compra dos melhores materiais, mas não pode aceitar que profissionais e instituições médicas indiquem fornecedores ou até mesmo cirurgias desnecessárias”, disse.

Lania explicou que muitos prestadores da rede Credenciada Amafresp, entre eles os hospitais Santa Catarina, Nove de julho e Beneficência Portuguesa  (BP)  autorizam a compra direta de OPMES  (órteses, próteses e medicamentos especiais), com uma criteriosa análise da Auditoria médica Amafresp, diminuindo significativamente os custos com internações. “Acordos como esse são muito importantes para maior sustentabilidade do nosso plano, fato que impacta de forma direta e positivamente na cota”.

No entanto, Alexandre Lania falou da existência de hospitais, entre eles,  Oswaldo Cruz e Sírio Libanês, que ainda resistem em liberar a compra direta de OPMES pela Amafresp  e também não conseguem apresentar preços próximos aos valores pagos pela autogestão com a compra direta, o que dificulta a liberação de determinadas cirurgias nestes hospitais. “Temos muito a evoluir com os credenciados citados, uma vez que  acreditamos na capacidade técnica e postura ética dos mesmos”, finalizou.

Sobre o autor
Pedro Ramos – Formado em Direito e pós-graduado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e pela Fundação Getulio Vargas ( FGV), com especialização em negociação pela Université Paris-Sorbonne. Foi diretor jurídico da Amesp\Medial\Amil e atualmente é diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde – Abramge.